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DIÁRIO DE PRODUÇÃO – 06

DIÁRIO DE PRODUÇÃO – 06
Diária 01 – 29 de novembro de 2014
Locação: Colégio Júlio de Castilhos

A primeira diária é sempre a mais tensa, a mais nervosa e a mais cansativa. São dias, meses ou anos esperando aquele momento. O instante onde tudo começa. A primeira cena, o primeiro plano. O primeiro ‘clack’ da claquete, o primeiro ‘ação’!
Essa primeira diária foi corrida, iniciamos, propositalmente, com a cena de abertura do filme no ano de 1999. É a cena que somos levados ao universo do protagonista. A cena envolvia um número elevado de figurantes, o que transforma tudo numa grande gincana. As vans de produção buscando o pessoal no meio da madrugada, muita gente para figurinar, maquiar. Muito tempo de espera. E tudo isso para fazermos uma cena onde Jeferson (Bruno Barcelos) conversa com Bia (Duda Andreazza) enquanto assiste uma aula dada pelo professor Marcelo (Bruno Krieger).
Em toda produção existem contratempos e sendo a primeira não poderia deixar de acontecer, por mais que a gente planeje e pense em tudo que poderia dar errado, sempre existe algo que foge do nosso controle. Seja pelo clima (a primeira diária foi cancelada em função de uma previsão de temporal que não se realizou), seja pelo atraso de A ou B. Em decorrência disso realizamos 2 das 3 cenas planejadas para o dia. Poderíamos ter tentado gravar a terceira cena, mas certamente não conseguiríamos extrair o melhor resultado, em função do cansaço da equipe, do elenco e da figuração. Além da luz do dia, fundamental para realização dessas cenas, que estava caindo a medida que o dia se aproximava do fim. Com tudo isso, achamos melhor jogá-la para outra diária.
O resultado da primeira diária foi extremamente positivo. A cena da sala de aula ficou muito boa, com a luz desejada, interpretações ótimas, tanto do elenco principal como da figuração, que deu um show não só pelo empenho como pelas atuações. Eles colaboraram significativamente transformando momentos da cena em algo muito maior. Em especial o instante onde o professor chama a atenção de uma aluna e todos reagiram exatamente como alunos reagiriam dentro de uma sala de aula. E isso que no primeiro take eu nem indiquei nada para eles. Não sei se deixei claro nos elogios do dia, mas eles arrasaram!
A cena que fizemos depois, apenas com o Jeferson e a Luana (Fernanda Roggia) foi simplesmente mágica. E é só isso o que eu posso dizer no momento. Vocês terão que ver na tela. 🙂

Até a próxima!

Pedro Marques

O dia em que conheci o criador da TIME MACHINE!

Conhecer artistas que te inspiraram a fazer o que você faz é realmente iluminador.

Semana passada eu tive uma aula com Andrew Probert, o artista conceitual que desenhou o Delorean no filme De Volta para o Futuro. Foi numa MasterClass em São Paulo que o Animamundi promoveu. Eu fui para o evento especialmente para assistir a aula. Não sou de tietar. Daí não tirei foto com o cara, mas enfim, o que vale foi o que eu vi e aprendi. Eu aproveitei a aula. Tentei absorver tudo, cada instante. Cada segundo.

Andrew Probert, designer, ilustrador e concept artist que entre outras coisas foi o responsável pelo desenho final da máquina do tempo, em cima de um Delorean, no filme De Volta para o Futuro. O trabalho dele é simplesmente fantástico! E olha que poderíamos colocar o Delorean como um dos menores trabalhos dele (não menos importante, é claro).

Ele iniciou a carreira metendo a cara. Depois de descobrir que a equipe de efeitos especiais de Star Wars estava trabalhando numa série de TV, na época intitulada Star World (lá pelos idos de 1978), ele resolve ligar para um dos responsáveis pelos efeitos especiais e marca uma entrevista, dizendo ser do jornalzinho da faculdade. Só que o cara nem era do jornal, esse foi só o pretexto para se encontrar frente-a-frente com o cara e tentar uma vaga na equipe. E ele conseguiu. Assim iniciou sua carreira. A série se chamaria mais tarde, Galactica (quem é fã de Sci-Fi vai saber qual é, pra quem não é -> pergunte pro Deus Google, ele responde em menos de um segundo).
Ele trancou a faculdade, e foi trabalhar na série.

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Inicialmente desenhou partes do figurino. Capacetes, roupas, armas. Depois, partes das naves espaciais. Sala de reuniões, salas de comando. Cada nave era projetada como se fosse ser construída em tamanho real. Cada pedaço estava ali para alguma função imaginária. Claro que não era um projeto de engenharia, e muitas tecnologias inventadas ali ou não existiam ainda ou talvez nunca existirão. Mas o importante é pensar que tudo ali criado tinha uma função, um objetivo.
Uma coisa me surpreendeu muito no trabalho dele: A quantidade. Muitos desenhos, muitas ideias. Ele relatou que em muitos momentos, desenhava a mais do que era pedido, para ter opções. Esse foi o caso do Delorean.
Ele foi chamado para fazer o storyboard do De Volta para o Futuro, mas desde o início disse para o produtor que queria desenhar o carro. Só que quem desenharia a máquina seria Ron Cobb, que tinha feito Star Wars, Indiana Jones (sim, esse pessoal não vive só do fututo), entre outros. Só que Ron Cobb, depois de ter terminado o desenho, entregou para os produtores e partiu para outra produção (a agenda do cara tava fervendo).
O pessoal curtiu, mas não estava 100%, tinham um início mais ou menos do projeto, faltava acabar. Com o pessoal meio insatisfeito, Andrew viu uma oportunidade de inserir suas ideias. Detalhe: enquanto desenhava o storyboard ele fez inúmeros Deloreans, umas 10 versões, pelo que eu pude contar. Ele apresentou algumas opções até chegarem no desenho final e que todos nós (fãs da série) lembramos. Uma curiosidade é que para a parte interna se manteve a versão de Ron Cobb. Isso porque Andrew desenhou uma versão mais alinhada, organizada. E quando os produtores viram (sim, ele falava mais com os produtores do que com o diretor) eles disseram que tava muito bonito e tal, mas que dificilmente seria construído daquela forma pelo Doc. Aqui mais uma ideia voltada ao realismo. Tinha que passar a ideia de que o próprio Emmet Brown havia construído a máquina do tempo. Assim ficou o desenho final dele com alguns toques de Ron.
Ao fim da parte sobre o Delorean, ele apresentou um storyboard animado de uma das versões finais para o filme, que foi cancelada depois do orçamento. Como na época a computação gráfica engatinhava (lembrem, o filme foi lançado em 1985) ficou muito caro para produzir a explosão nuclear. Nessa versão o Marty vai com o carro a toda velocidade de encontro com a explosão de uma bomba nuclear num campo de teste americano. A cena é mais dramática e meio punk até.. bonecos derretendo, árvores balançando. Enfim, algo parecido com o que foi feito em Terminator 2 na sequência da Sarah Connor vendo o filho brincar no playground. Confere aqui o story animado http://www.youtube.com/watch?v=6pzIPdkYd3g
Bom, depois de Back To The Future foi a vez de Star Trek. Ele trabalhou no filme com a primeira geração e depois na série de tv e filme da segunda geração. E foi o responsável pela nova Enterprise. Mas aqui, novamente um dado curioso. Ele estava trabalhando em cenários, roupas, etc. Mas desenhava inúmeras Enterprises nas horas ‘vagas’, e num certo momento um dos coordenadores viu um dos desenhos e levou para uma reunião. O desenho foi aprovado e Andrew recebeu essa notícia meio que sem saber que o desenho dele estava entre as opções. Alguns chamariam isso de sorte, eu prefiro acreditar que foi dedicação, perseverança e muito trabalho, que foi o que ele relatou e apresentou para a platéia da Masterclass.
Confesso que, antes da aula dele, conhecia muito pouco do seu trabalho. Conhecia o nome, tinha visto alguns desenhos, mas nada muito profundo. Até porque, a pouco tempo que você consegue acessar um material tão vasto sobre os bastidores de um filme. O dvd/bluray mal sai e você já tem um monte de extras na internet. Sites especializados. Séries completas de making-ofs, mostrando cada passo, cada detalhe. No caso de alguns filmes, antes mesmo de estrear você já sabe como foi feito determinada sequência, etc. Isso é muito recente. A 10, 15 anos para você saber quem fez o que em algum filme ou série de tv, ou você lia todos os créditos no final do filme, o que não ia ajudar muito, ou torcia para a revista SET investigar mais a fundo determinada produção (por sinal a SET não existe mais).
Ter uma aula com uma pessoa como essa, que fez parte de um filme que te inspirou muito a fazer o que você faz, realmente é iluminador. Ainda mais quando tu te identifica com os processos de criação e encontra similaridades, mesmo com a enorme diferença que é produzir um filme aqui em comparação a roliúde.
Até agora reverberam em minha mente, ensinamentos de Neville Page, na masterclass do ano passado, onde ele mostrou o processo de criação para Avatar, Prometeus, Super-8… Scott Spencer falando sobre a criação de monstros para o Hobbit, Senhor do Anéis, entre outros…
Bom, eu tentei contar aqui um pouco sobre a aula desse grande mestre, espero não ter errado nada ou trocado alguma informação. Qualquer coisa o próprio Andrew corrige ai nos comentários (no post do facebook).
Valeu Andrew por essa grande aula e na próxima vez talvez eu tiete um pouco e peça um autógrafo e tire uma foto (sou péssimo com isso).
Abraços!

 

(O design do carro Delorean foi iniciado pelo californiano Rob Cobb, mas Andrew (direita) foi responsável pelo detalhamento e finalização do projeto)

O TEMPO

O TEMPO

Eu me arriscaria a dizer que tudo numa produção audiovisual depende do tempo. E não estou falando do clima… apesar desse também ser extremamente importante para algumas coisas.
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